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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

BANHO DE MARGARINA



-Ô maninha! Quantas vezes você já tomou banho de detergente? –Júlia pergunta à Lidia, que chegara da faculdade com o velho caderno, um livro de Hobsbawm, um de Morin, de Thoreau e “Os excluídos da história: mulheres, operários e prisioneiros”, de Michelle Perrot.

-Ué! Por quê? Não me diga que acabou o sabonete?!! Meu dinheiro tá curto e eu só recebo na 2ª feira...- colocou os materiais escolares no sofá da sala e foi se dirigindo ao seu quarto, onde a filha já dormia.

-Não é isso!- Atalhou sorrindo, Júlia. - Acontece que a sua filha, a minha sobrinha querida, precisou de um trato diferente hoje. Você acredita que enquanto eu dormia ela subiu na mesa e se lambuzou todinha com a margarina?

-Ô louco! Como foi acontecer isso? Coitada, Ju! Abriu a porta, abaixou-se à cama e beijou a face morena da menina, acarinhando com a mão direita seus cabelos escuros encaracolados, umedecidos pelo suor do verão. Ela adorava os cachos da filha e vivia fazendo permanente nos seus. Com a esquerda enxugava o suor que descia pelo pescocinho macio. Sustinha uma respiração leve e harmoniosa. Sentiu-se enormemente feliz em ver a sua garotinha segura e em paz.

-Eu não tive culpa! -Defendeu-se Júlia.

-Fale baixo!! Vai acordar a menina!!- Encostou a porta do quarto e foi para a cozinha jantar, como era de costume, às 23h30. –Se bem que eu gostaria de vê-la acordada! 

– Ela acordou bem cedo, antes de mim, e foi fazer arte. -Júlia seguia Lídia e acomodou-se na cadeira da cozinha. -Se você visse a cara e o cabelo dela, é até engraçado. Tinha gordura nos braços, na roupa e até nos pezinhos.-  ria com naturalidade.

-Ai meu Deus...! Não brinque!! –Disse Lídia.

-Aí eu a coloquei sob o chuveiro e o sabonete não dava conta de eliminar aquele ranço. Apelei para o detergente. Não sabia o que seria pior: ele ou sabão em pó. Mas deu certo e ela ficou limpinha, limpinha.

-Brilhando, você quer dizer! Ainda bem que não passou esponja de aço na menina. – Brincou Lídia. E ela não chorou?

-Que nada. Só ficou um pouco assustada com o meu susto, mas manteve-se quietinha enquanto tomava banho e até deu umas risadas.

-Chorou para sair, já sei. Quer comer feijão com farinha e ovo mexido? –Luzia ofereceu o prato à irmã. - É o que tem e eu gosto disso.

-Eu também, mas já comi, obrigada; olha, tem tomate na geladeira. -Enfatizou Júlia: - nem me fale!! Toda vez que tenho que tirá-la da banheira ou do chuveiro, ela chora. Resmunga para entrar e depois não quer sair. -Júlia foi se levantando para guardar os objetos da mesa.

-É assim mesmo. Já conversei com ela sobre isso, parece que entendeu. – disse enquanto mastigava vagarosamente o alimento.

-Mas não cumpre, Lidia! Apesar de que, eu não posso reclamar, até que ela se comporta bem, é um anjinho. Mas eu não dou moleza .

-Obrigada, Júlia! – Mas sabe que eu sonho ter um abajur para a cama dela!- Suspira Lidia. Ouviram um barulhinho. Olharam para trás e, na porta da cozinha a pequena Polyana coçava os olhinhos inchados de dormir, com as costas das mãos, carinha de sono, alguns cachos de cabelo despenteados. Foi até a mãe. Esta a abraçou colocando-a em seu colo. Despertou. Começou a contar como foi o dia na escolinha. Vixi!! acabou o sono!



- Caros leitores e leitoras! Saiu o 3º livro do Camilo Irineu Quartarollo, CONTO FICCIONAL AS CILADAS DO ANDROIDE. Texto criativo e bem trabalhado, nos seduz e nos conduz... Confiram!!

      "O livro versa sobre o antagonismo ou competição entre o humano e a máquina. Entre o universo descontínuo das opções humanas e as opções programáticas da linguagem de sistema. Dois momentos importantes dentro da obra, duas vacinas, ao primeiro androide, T1 sobre o pensar e a vacina ao T10 sobre a emoção, reação à poesia. O livro é uma crítica à desumanização, ao utilitário, ao objetivo sem objetivos, à massificação do “moderno” e da expressão pura e simples de um Falar, como o dialeto caipira. Em suma, o livro, além de versar sobre essa relação atual entre máquina/homem, fala sobre vícios humanos na relação entre humanos, regras programadas de comportamento (o androide acessa a Teoria do Medalhão de Machado de Assis para conviver com as pessoas."


domingo, 8 de janeiro de 2012

Janela Fechada

Janela aberta, cortina fechada
Janela aberta, cortina aberta
Eis a vazão da liberdade!
Poder olhar para fora
E, se a paisagem for boa,
Quantas sensações!

Janela fechada ou cortina fechada
Conforme a situação, é proteção
Real ou imaginária!

Fogão à lenha
Brasa estalando
Panela pesada
Lá cozinhando
Pode ser romântico
Ou nostálgico.
Para a cozinheira
No mínimo
É dor no ombro
Cansaço

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Mais um ano se passou
a cada segundo um movimento
dirigimo-nos ao momento de nossa morte
Então, aproveitemos o presente
cada instante pulsante
cada inspiração e expiração
que a vida nos inspira
até expirarmos.
    BOAS ENERGIAS E FORÇA DIVINA EM 2012
                        A TODOS VOCÊS

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Conto Torradas não se despedaçam, menção honrosa no 2º Concurso Lit. Nac. Prêmio Buriti Cronicontos - 2011. Foi o meu primeiro conto, escrito em 2010.

Compartilho com vocês, com muito carinho, esse simples conto
                TORRADAS NÃO SE DESPEDAÇAM
- Homero, me desculpe, mas é a quarta vez que deixo a minha toalha dobrada na cama pra tomar banho e você a guarda na gaveta. É de irritar, sabia?
            - Fica feia aí, sobre a colcha.
            - A colcha azul perfeitamente estendida, sem vincos! - fala enquanto abre a gaveta, pega a toalha, joga nas costas e dirige-se ao banheiro. Homero puxa e retoma a toalha, a recoloca dobrada  sobre a cama sem ser impedido a tempo.  “Pronto! no mesmo lugar!”
            - Mas que prática! você poderia ser camareira, meu bem! dê-me aqui, disse, pegando novamente a toalha e entrando rápido no chuveiro, não sem antes virar o pescoço para trás, à esquerda, com os olhos mais aquosos, mais vivos do que nunca:
- Seu perfeccionista de uma figa!!
            Conhecia Homero há dois anos, todavia sabia tão pouco.
            Este se sentou à cama macia, cabeça solta entre as grandes mãos em concha, cotovelos nas pernas retesadas. A torrada intacta. Tinha de estar intacta. Viu-se menino, o pai sentado à mesa; ele ao seu lado, consertando a torrada partida ao passar geleia de amora. - Perdem-se os restolhos e fica torta, feia, fedelho! Perdem-se os restolhos e fica torta, feia! O menino comeu rapidamente os pedaços, temendo que a segunda torrada quebrasse enfiou-a na boca em dois bocados sem a geleia.  Assim eram todas as manhãs e ao chá da tarde. A mãe provavelmente não aprovasse a atitude do pai... Olhou ela de canto para o filho, encostada na porta da copa, tão leve, tão mansinha que parecia invisível a si mesma. Assim era mamãe, murmurou Homero.          
- O que disse, querido? saindo do banheiro, retirando os últimos pingos  de seu peito de pelos salientes. Põe a camisa azul de cetim e calça clara que delineavam bem o belo corpo, aguarda uma resposta em vão. Homero silenciara como sempre, levanta-se, vai à cozinha do apartamento, convida:
            - Vamos tomar um café, Afonso?
            - Pode ser. - Ajeita o cabelo ao espelho "ainda estou bonito"! Vivia com Homero há alguns meses. Apreciava o seu jeito diferente. Acariciou o cabelo de Homero  sentando-se na banqueta à mesa. Beliscou alguns biscoitos e um pedaço de bolo de laranja que fizera no dia anterior.
 - Muito bom o seu café! - Tomou-o aos goles, olhou para Homero, que, distraidamente procurava juntar as três partes da bolacha salgada que se quebrara, no pratinho azul à frente.
            -Quer que o ajude? diz Afonso, levantando-se embaraçado. -Vou fazer um ovo mexido!! - Pega o ovo, mira a pia para quebrá-lo, mas sustém o próprio braço que se erguia, impedido por um grito:
- Nãoo!! Cuidado! Não o bata, vai estragar a casca! É melhor cozinhá-lo.
Afonso, amuado e sem entender quase nada, larga-o lentamente na pia, dentro de uma xícara sem cabo, vai ao quarto, deita-se a meditar e refrescar as ideias que insistiam em voltar. Aquilo não dava mais, era vingança ou neurose? Seu companheiro jamais expunha seus sentimentos, exceto em pequenos gestos. Olhou a mochila - sua mala fora emprestada - fechou os olhos, enquanto Homero se aproximava com uma suave manta desdobrando-a bem esticadinha, cobriu o corpo de Afonso, como a de um menino.


segunda-feira, 21 de novembro de 2011

OS DOIS BALDES

Agradeço aos comentários, tão preciosos!
E aqui vai um poema


Eu subia
ele descia
Éramos dois baldes
ora cheio, ora vazio
No fundo do poço
as vezes nos encontrávamos
Descíamos balançando
na carretilha acima
duas mãos nos controlando
Água fresca íamos levando
Um dia chegou a torneira
água de cano, do rio, na mangueira
Somos hoje dois vasos,
vasos de alumínio
com prego furados
Somos as vezes regados
                                                   pela água da torneira.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

A PROVA DO FAROL


O priminho Zurí, sentado num dos galhos do ipê amarelo. Amordaçado. “Desça daí! rápido!!!” sussurrou-lhe o pai, temeroso.
Era uma região com um povo de costumes diferentes, sofisticados, em que homens usavam saias e as mulheres calça comprida, os meninos podiam brincar de bonecos e os homens tinham o direito de chorar. Evoluídos em suas relações culturais e sociais. Porém,  um pequeno grupo de jovens, existia, moços e moças que mantinham o rosto coberto e eram adeptos da perversidade. Esse grupo fez um trato com duas jovens - Valerrí e Sofie - dizendo que havia sequestrado o priminho delas, Zurí, de apenas cinco anos de idade, e que iam oferecê-lo em sacrifício a uma nova deusa: Zimom. Esta prática estava abolida pelo povo há milênios e o pequeno grupo queria resgatar, à custa do rito de sacrifício da criança. Contudo, havia uma condição de salvarem o priminho: se as duas conseguissem chegar ao topo de um Farol muito alto, na costa leste da praia de Zimom, no vilarejo.     
Escaladas para subirem ao farol, as duas jovens retiraram os calçados. Os pés deixaram a leve areia e pisaram na firmeza dos degraus de uma escadaria de madeira. Vigiadas pelos algozes e talvez admiradas por um ou outra - decididos a usarem o tempo ocioso, que não era pouco, para transferirem suas raivas a algum alvo -  tentavam ambas subir ao topo.
            O menino preso sob a vigilância de alguns dos algozes, num local não tão desconhecido. Alma generosa, um sorriso apaixonado pela vida, via-se um tanto inseguro, procurava, porém, suster a força e a fé que percebia no exemplo paterno. A mãe o deixara desde o nascimento. A saia amarela ouro e a camiseta branca do menino já estavam bem sujas e marcadas por rasgos, seus olhos até então serenos, encheram-se de grossas e incontidas lágrimas, cujas pálpebras inchavam-se. “Pode chorar, filho, quando precisar, chore; vai sentir uma leveza no peito e raciocinará com mais clareza depois de uma tempestade!” “Sábia é aquela pessoa que não espera controlar tudo e todos e sabe a hora de admitir sua sensibilidade, sendo verdadeiro consigo. Talvez não entenda tudo que lhe falo, mas um dia...”. O garoto lembrava-se do pai.
            Era noite. Valerrí e Sofie ultrapassavam a metade do percurso da enorme escada, quando o farol foi desligado. Breu. “Há algo a mexer-se sob a madeira. Seriam cupins!”, supunham elas. A cada passo, um ato mais de esperança que certeza, acompanhado pelo desafinado coro, abaixo, palavras e urros de zombarias. Valerrí, que ia à frente, sentiu-se invadida por um torpor. “A escada não teria fim, seria uma fantasia ou coisa mágica?” E o priminho amado de tanto amor certamente corria muitos perigos, pressentia, e o tempo se esgotava. Pedia proteção aos mestres e mestras ascensionadas - Jesus, Metratom, Kwan Yin (deusa da misericórdia e compaixão) e outros!
 Disfarçados, dois sequestradores afastaram-se lentamente, desaparecendo na escuridão que teimava em ofuscar o brilho da lua, na praia.
            O tio delas, pai do menino, confiava em São Francisco de Assis, Nossa Senhora, Olodum, Chico Xavier, e tinha uma simpatia pelo budismo e taoísmo, percorrendo toda a região em busca do esconderijo, intuía que estava perto. De repente, avistou um boneco no chão. Parecia-lhe familiar; correu, apanhou-o. Podia ser um dos brinquedos do filho! Esse povo já estava num estágio em que homens e mulheres compartilhavam tudo; os bonecos e bonecas serviam às fantasias dos futuros pais e mães, com seus bebês. Daí a importância do lúdico.
Ah, Sofie! Por que ficou para trás? Seus pés eram miúdos. Seus pais sempre lhe diziam “filha, numa situação crítica, não convém ser a primeira, tampouco a última; seja a mediana e terás mais paz e felicidade”. Naquela situação não havia escolhas. Alguns degraus atrás de Valerrí, o medo de um descuido ou da demasiada atenção às palavras jocosas da turma, sua mão e pé direito deslizam. “Não seja a última, seja a do meio!”, pensava Sofie confusamente, enquanto caía.
Um grito de dor misturado ao líquido forte, bonito e ainda quente no leve chão de areia fina. Assim a imaginava, Valerrí, mais acima. Suas pernas bambas vacilavam entre descer e ver a prima ou continuar e salvar o priminho Zurí. Respirou fundo, fez alguns mantras, em escalada correu com as mãos deslizando sobre limos e insetos colados na lateral.
O uso prático da calça foi exatamente o que ajudou Valerrí no deslocamento de seu corpo, chegando exausta ao topo, aceso novamente o farol por um dos chefes do grupo, ofuscando a lua e os olhos acesos de Valerrí. Esta carregava, às escondidas, umas bolotas de terra dura nos bolsos do casaco e as atirou abaixo com indignada satisfação. Acertou alguns jovens do grupo, desmanchando-se depois nas ondas do mar. “Salvara o pequeno Zurí? E Sofie? Como estaria?”
 O grupo dissipou-se, enquanto alguém, ainda mascarado, segurava Sofie nos braços. Era a liderança, um elemento do bando, apaixonado pela jovem. A compaixão ultrapassou o ódio. Ágil e habilidoso, enquanto ela caía da escada, ele atirara uma corda, evitando sua queda fatal. Ele, sem a máscara neste momento. Valerrí olhava tudo, chocada.
 Do outro lado, o garotinho amordaçado vê, a alguns metros do ipê, seu grande herói carregando seu pequeno herói de fantasia. Ninguém dera queixa? Não havia polícia? Bem, o pai joga o boneco nos arbustos abaixo, distraindo o vigia. Olha ao alto e vê Zurí agachado, escondido no último galho do grande e belíssimo ipê amarelo. Encolhido ainda sobre o galho, arregala os castanhos olhos, puxa a mordaça e diz:
- Quelo vê as pima Valerrí e Sô, papai!
-Pssssiiiiuuuuuu!


segunda-feira, 7 de novembro de 2011

10 COISAS QUE MAIS APRECIO

Minha amiga Ivana Negri convidou-me a participar desta brincadeira de blogueiras e blogueiros. Fiz a lição de casa, meio atrasada, mas fiz, e olhe no que deu!!

1-    Verduras e legumes refogados ou em farofa


2-    Interpretar e assistir a Boas peças de Teatro e das artes em geral


3-    Dançar

4-    Ler livros que me interessam e escrever

 
5-    Receber massagem e aplicar reiki


6-    Da natureza: os animais, o sol, mar, rios, plantas, Lua, estrelas, terra...

7-    Abraçar as árvores, cheirá-las, enfiar a mão na terra e plantar

8-    Minha família






9-    Saltar, brincar, rezar, beijar,  viajar

10-   Amigas e amigos, novas amizades, pessoas generosas, esforçadas,  simplicidade, honestidade, ter ideais

Algumas pessoas queridas, dentre muitas!!



Como faz parte do jogo, convido alguns amigos, dentre tantos, para dar continuidade...


1- Reserva de Emoções, blog de Ivana Altafin
2- Fortaleza da Alma, Josemaira
3- Pequeno Astrônomo, Marjory
4- Camilo Crônicas, Camilo I. Quartarollo
5- Agenda Cultural Piracicabana, Ana Marly Jacobino
6- Até Hoje, Celia
7-Ponto de Cultura Garapa, Abegão, Chiquinho...
8- Ambient Ação, Giuliana Brunelli
9-Ser Vegetariano, Ivana F Negri
10- Vivendo ao Amanhecer, Talita.