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sábado, 11 de janeiro de 2014


O PORTA-RETRATO
(um poema de Atemporal, para vocês, queridas e queridos leitores)

 
Um porta-retrato choroso

Chorava de solidão

Portava uma foto há anos

Única no salão

A mesma

Um homem de fino bigode.

Um dia chegou

Outro porta-retrato

Àquele sorriu

Viu a foto de uma

Senhora sentada e concluiu:

-O meu dono tá apaixonado

E agora eu tenho alguém

Ao meu lado

domingo, 22 de dezembro de 2013


 
Amigos e amigas, conhecidos ou quase conhecidos, desejo-lhes um natal de paz e um 2014 com fraternidade e faço minhas as intenções desta oração para vocês, que confesso eu, gostaria que esse meu sonho se realizasse, é um dos poucos sonhos que me falta realizar.
                                                Oração da manhã


"Senhor, no silêncio deste dia que amanhece, venho pedir-Te força, sabedoria, paz. Quero olhar hoje o mundo com olhos cheios de amor; ser paciente, compreensivo, justo, equilibrado; quero ver, além das aparências, Teus filhos, como Tu os vês, e assim só ver o bem em cada um.
Cerra meus ouvidos a toda a calúnia, guarda minha língua de toda a maldade. Que só de concórdia viva o meu espírito. Seja eu tão bom e alegre que todos quantos se achegarem a mim sintam a Tua presença. Reveste-me interiormente de Tua beleza, Senhor, e no decurso deste dia eu Te revele a todos. Amém."


quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

 
 
 
CONVITE ESPECIAL A TODOS VOCÊS, POETAS E AMANTES DA LITERATURA
Lançamento do livro ATEMPORAL, de Luzia Stocco
 


Ponto de Cultura Arte Garapa
(Rua D Pedro II, 1313, centro, Piracicaba, atrás do Varejão)

Dia 13/12/13

20h

Noite de autógrafo e show Os Silva cantam Roberto (contemplado pelo Fac) e com declamações de poemas; os livros serão doados, pois também contemplado pelo FAC 2013. Obrigada.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

                         Uma partinha de meu livro "VALENTINE, criando amor a terra"

(...)
Ah! Esqueci-me de lhe contar um segredo: Valentine fala com os animais.

Que animal?!? Qualquer animal! Ela não tem preconceitos. Outro dia, ao escurecer, flagrei-a interrogando um tatu. Isso mesmo, um tatu macho. Macho e marrom. Nem pequeno, nem grande, com sua dura carapaça sobre as costas e as patas enrugadas. 

- Por que você não fala comigo, seu Tatu? Não me olhe com essa cara, pois pelo seu jeito e tamanho sei que é macho. Queria tanto saber onde mora...

Coitado! Valentine o enchia de perguntas.

- Que língua você fala? O Tatu nada respondia, só a olhava com aquela cara de tatu.

Ahá!! Agora é a vez dos peixes lambaris. Ela fala com eles numa boa, mas a partir daí começou a se incomodar por não ouvi-los.

- Como faço para me comunicar com vocês? Pergunta Valentine, encostando a mão em um deles sob a cristalina água.

 Sabe, aqui no sítio onde moramos, no bairro Chicó, a água está sempre limpa. Os  peixes nadam correndo de lá prá cá; parece o pega-pega que costumamos brincar às vezes eu e minhas irmãs.

É que eu tenho outra irmã, ela tem três anos e chama-se Vânia. Você vai conhecê-la já, já.

Outra coisa que me esqueci de contar é a minha idade. Lá vai, hein: tenho seis anos e meio. Não vou lhe contar mais detalhes pois quero propor a você uma brincadeira; quero que  imagine como eu sou, com a sua imaginação de criança; e  imagine também como seria a Valentine e a Vânia, se um dia você se encontrar com elas... Tudo bem?

- Amadeus, você escutou algo vindo daquela lambarizinha ali?

         - Eu não! Talvez seja o Nheco que veio roçar o mato.

Nheco é um ajudante de minha família. Ele faz de tudo um pouco, cuida da horta, do pomar e da venda dos produtos na cidade. Meus pais cultivam verduras, legumes e frutas orgânicas.

 - Ô, Valentine, o que é mesmo orgânico? Perguntei enquanto eu saía da água; vi meus dedos dos pés meio amortecidos e enrugados como as patas do tatu, agachei pra ver uns caramujos no barranco.

         - Ai, Dequinha! - Dequinha é meu apelido, chamo-me Amadeus, mas lá na escola rural estou aprendendo a escrever a letra D também, D de Dequinha, além do A de Amadeus, sabe! Isso é legal, né?- E aí Valentine continuou: - Já lhe expliquei, produtos orgânicos são aqueles que ninguém coloca agrotóxico, é tudo puro.

- Nem adubo pode colocar?
...

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

             Uma partinha do meu livro O Salto das Estrelas, para vocês saborearem e, se for o caso, pedirem mais!

Mas nem tudo ia bem, alguma coisa nos incomodava, principalmente quando a Lua estava redonda, bem cheia! Aí morava o perigo: algumas estrelas, mais sensíveis, sentiam-se prejudicadas pela forte claridade que a Lua emitia.
 Diziam, “esse brilho machuca nossos olhinhos, ficamos atordoadas e não conseguimos dormir!”.  Já outras, resmungavam, em coro:
- Uf! Nem podemos repousar! É claro demais!! Nossas filhinhas ficam a chorar, manhosinhas que são. Manhosinhas que são... – Repetiam elas.
    - Mas, o que fazer? – Indagava a estrela Maior, chamada Gesânea Re. – Sempre foi assim, desde a época de nossas tataravós.
    - Não! As coisas mudaram por aqui, vovó, nos últimos tempos, sabe?!. – Manifestou outra simpática estrela. – O clarão da amiga Lua está mais forte que antes. E nem me olhem assim, pois eu não sei o porquê!
Houve vários debates, com trocas de ideias entre as jovens, entre as mais velhas com sua experiência e sabedoria e até sugestões entre as estrelinhas.
Então, o seguinte plano foi aprovado:
“Faremos uma escada e chegaremos perto da Lua; aí, juntas, a rodearemos, com muitas, muitas de nós encobrindo sua forte luz.
Enquanto uma turma dorme a outra turma fica trabalhando nesta tarefa. Podemos fazer várias turmas e vamos trocando durante as noites, na semana em que ela estiver cheia”.
       - Plin, plin! (que significa ai, ai, na nossa língua) – Dete Ro! eu não posso ajudar, plin, sinto muito sono por que brinco o dia todo sem parar! – Exclamou, com toda a sinceridade, uma minúscula estrela de nome Audinha.
    - Calma, Audinha! Tem muita estrela grande pra ajudar. Pode relaxar! –Falou a estrela Maior, Gesânea Re, que também adorava rimar.
E lá fomos nós, colocar o plano em prática! A bola, ou seja, a Lua, estava quase se completando.
Esticamos nossos corpos estelares, fomos avançando para cima, encostando-nos umas às outras.
Um espetáculo maravilhoso, juntinhas, as estrelas aos milhares, piscavam e cantavam, em harmonia.
“Que gostosa aventura, aqui no mais alto a saltar, eu e vocês vamos trabalhar láaa laalalá lálá...
...Um passinho aqui, um pezinho lá, gosto de cantar e de dançar, tralalalá! Calcanhar e pontas, juntos outra vez! - Até logo! Olá, muito prazer, muito prazeerrrrr!!” Íamos rodando lentamente, em meia-volta, numa alegre coreografia, virávamos e cumprimentávamos.
                A Lua, calada e tímida, sorriu! Um sorriso largo e redondo contagiou a todas nós, que nunca tínhamos estado tão perto dela.

Até parece festa da terra, quando os humanos acendem suas lâmpadas ou velas.
                           Porém, tudo parecia tão simples e foi se complicando. Não houve a escuridão desejada!
 As estrelas dessa história que estou a lhes contar não pensaram que, unindo suas luzes, mais forte elas ficariam.
Aliás, elas nem sabiam que possuíam tanta luz, não conheciam o próprio brilho, nem eu!!
Assim como você que agora lê esta página possui um maravilhoso brilho, sabia?!!!!
...(continua)

 

terça-feira, 3 de setembro de 2013


 

Breve comentário sobre as andanças do Andaime...



 Acabo de ler o livro Andaime – Um Jeito de Ser, escrito pelo doutor em História Social e Mestre em Teatro, Alexandre Mate, com uma rica abordagem sobre a trajetória dos 25 anos do premiado Grupo Andaime de Teatro Unimep, lançado recentemente.  O livro contém, relatos dos integrantes do Grupo, dos diretores e autores, cartas, comentários sobre os onze espetáculos encenados e algumas cenas, entrevistas aos heróis que, em 1986, fundaram o Grupo - Antonio Chapéu e Carlos Jerônimo. Faço, então, um feedback de minha morada no grupo por mais de 10 anos. Não esqueço os bonecos do Elias, recriados na Itália, com maestria do nosso diretor, Carlos ABC, em 1999. Lá, o público recebeu o programa “Dove il Pesce si Ferma”. Ao término do espetáculo só se ouvia “Bravo! Bravo!” acompanhados por intermináveis palmas, vindas dos corpos em pé, como jamais visto, por cerca de 8 minutos. Aquela sensação ficaria registrada eternamente na memória de cada um. Seguiu-se um debate “pela plástica teatrale, scenne, capiamo tuto!!”, diziam. Depois chuparam cana - algo jamais visto por eles, nesta região fria- que as meninas iam descascando e repartindo em minúsculos pedaços, sobras da cena de “cuspir cana”, das irmãs Dora e Deleise (Luzia e Vania), “humm, é doce!!”.


O grupo pesquisou a emigração trentina do final do século XIX, nas cidades de Cortezano, Meano e Romagnano, com uma média de 600 habitantes. O objetivo? Acumular material para a próxima montagem do grupo, cujo tema ainda estava amadurecendo. Nestes vilarejos não havia escolas nem crianças. Predominavam os idosos e os cães. Deste último, um ou dois em cada casa.  Encontrou-se em ruínas a antiga residência de Bortollo Vitti, o primeiro italiano tirolês a chegar à Piracicaba, em 1977. Em duplas, entrevistamos alguns moradores. Mãe e filho receberam a mim e à Vânia com uma mesa farta de queijos, vinho, pães diversos, água e outros frios. Admiramo-nos com o grau de confiança demonstrada na calorosa cordialidade. Com dificuldade, mas com um enorme desejo de comunicação, conversamos. Tal foi a alegria do senhor ao diagnosticar que determinada frase ele finalmente entendera, após minutos de tentativas, que gritou em êxtase:  - Capito!! Io capito! -Rimos todos.



“Lugar onde o PEIXE para”, estreado em 1996, apresentado durante mais de 12 anos, a intenção do grupo era enfocar a historicidade do ser humano, em seus costumes, suas raízes e memória; deu-se destaque ao universo caipira na reconstrução de sua identidade. Assim surgem personagens como a Nossa Senhora dos Prazeres que fez “banana” pra cidade, a Cobrona, a Moça do Rio, a Inhala Seca. Destacam-se as brincadeiras, que inté minha filha Polyana, na época com nove anos, participou; a Festa do Divino com a catira, a congada e o cururu; o corte de cana, os conflitos da sexualidade na adolescência, as crendices, tendo como fio condutor a lenda do Rio. O jargão tão conhecido pelo Brasil afora “São as deliciosas pamonhas! pamonhas de Pi-racicaba...!”repetido por Denirso (Paulo Farias). Adeus Dora, adeus Francesca, festeiro do divino, beata, cortadora de cana, viajante... Até um dia, Irma (uma das 3 Graças). Parabéns a todos vocês e outros personagens que por mim passaram, levaram um pouco de mim e, um pouco para mim deixaram. Meus amigos e minha mãe Auda, senhora dos figurinos e cenários.