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sábado, 15 de dezembro de 2012



          FOGÃO COMPANHEIRO, ISTO É O QUE ELE É!
     
Eram galhos secos de árvores e arbustos, separados especificamente para uso doméstico, combustível para o velho fogão de lenha, que reinava único e exclusivo na cozinha. Em torno dele a família costumava se reunir, em geral no frio da madrugada e no vento fresco do anoitecer. Ficavam a admirar o vermelho rubro das brasas estralando, ajeitando a lenha que se afastava do bocal da panela, substituindo os galhos tortos que se consumiam.  Ou acrescentando gravetos para impulsionar o fogo. Na quina da parede com o teto da cozinha, algumas abelhas dividiam o calor do fogão com as pessoas; uma “casinha” comprida e estreita, de barro, feita por elas aos poucos, acomodava as moradoras, discretamente. As pessoas aqueciam as mãos no calor das brasas e tocava no rosto gelado. As crianças percebiam-se protegidas e amadas sentando-se na lateral do fogão a observar o ir e o vir da mãe, apressadamente, nos afazeres culinários e domésticos. Não se sentiam solitárias, sempre tinha alguém da família por perto, ou alguns animais. Os trabalhos socializados e essa proximidade favoreciam o respeito e a valorização dos progenitores e dos irmãos mais velhos, pois viam o serviço, participavam do funcionamento da casa.    
Em tempos de longo inverno, de manhã, Lúcia, uma garotinha de 5 anos, enrolava-se num cobertor, sentada ou agachada num canto do fogão, próxima à parede já aquecida, esquentava-se e mantinha somente o nariz de fora e assim ficava por horas na mesma posição, até o sol erguer-se.                                
            -Não dá trabaio, esta menina. -Dizia Seu Reinaldo, o pai, enquanto a mãe ajudava no café. Às vezes a aconchegava em seu colo e até cantarolava, e a menina acabava dormindo novamente, nesse aconchego, pois acordava na aurora.
            Talvez o fogão realmente representasse um aliado, amigo para todas as horas. Figura arquetípica de pai/mãe. Aquele que transforma o alimento através das mãos da mãe. Alimento que fora plantado e cultivado por todos da família. Com cheiro peculiar, cor e sabor do seu cotidiano. Quantas batatas doces foram assadas em suas brasas rutilantes. Milho verde!  
Todo dia a senhora Deolinda, com uma das filhas, vinha mais cedo da roça para preparar o almoço, punha nas marmitas de alumínio para os que ficaram trabalhando na roça. Acrescentava uma garrafinha de café com leite. Ajeitava tudo em uma ou duas cestas, retangulares, de palha. Garfo e colher também enrolados num guardanapo excessivamente alvo.  -Tá quentano a comida, mãe? Ué, a mãe tá chorano.- Pensava Lúcia. Não!  Era só a cebola que a mãe cortava para a salada.  -Ô mãe! Dexa eu comê uma marmita tamém? -Indaga ela, com vontade de almoçar de forma semelhante aos irmãos, na roça: sentia aquele cheiro saboroso que acompanhava o vapor da marmita quando a destampavam, provocando saliva em sua boca. E já “grudava” os olhos “gordos” na garrafinha de vidro transparente e com tampa plástica colorida, cujo cristalino do recipiente era um atrativo lúdico para ela. Então, quando estava capinando, semeando ou cortando cana, Lúcia recebia também a sua marmita, ainda quentinha, como os outros. Vez ou outra, um vidro com pimenta curtida no vinagre, com sal e cebola picada, preparada artesanalmente, aguçava o apetite. Espremiam-se gotas de limão ou de laranja na comida.
             A parada para o almoço era concomitante ao ápice da fome, por volta das 9 horas, verificadas pela posição do sol.  Saíam de casa com o terceiro canto do galo, após o café das 5 horas. A labuta era suada, daí chegar cedo a fome do almoço.
A batatinha cortada em grossas rodelas, refogada na panela de ferro, temperada com cebola ou alho era um dos alimentos preferidos e de longe se sentia o aroma característico. O arroz, o feijão carioquinha, mulato, rosinha ou jalo – vulgo “amarelão”-, a omelete feita com um ovo só e mais cheiro verde, farinha de trigo e fermento, os legumes e verduras com um cheiro próprio de recém colhido, um cardápio caboclo. A chaminé quebrando sigilo indicava a qualquer raro visitante que o fogão estava em atividade. Por causa da fumaça constante liberada, a parede da cozinha permanecia sempre escura, coisa que incomodava as vistas dos moradores.
Na hora da janta: -Ô, Rita!Cata mai paia de mio no paiol pra acendê o fogo, que essas tão acabando. -Pede Dona Deolinda. –E sabugo também, pra ajudá a queimá essa lenha ruim que sobrou. Ponha o resto no jacá pra mode dos ninho das galinha. Seu Reynaldo ia empurrando as brasas mais para o fundo, com um ferrinho. Acesas aos poucos, com auxílio de um fole, as nuances alteravam-se conforme a brisa soprava, com o matiz ora vermelho claro, ora mais escuro.
             -Bem que a mãe pudia fazê aquele meladinho de açúcar, duro e grudento.
-Não vamo fazê doce nenhum, agora. Vamo parando com esse pampero, que tem trabaio pra fazê. -Falou a mãe, com seriedade. -E lave essas verdura com cuidado, veja se não tem bichinho grudado nas foia. Regace as manga da brusa pra mode de não moiá.
            -Não coma na panela, que chove no seu casamento! –Fala Lucilene, a filha mais velha, corrigindo Lúcia, que se esbaldava em raspá-la.
            -Eu não vou casá mesmo, resmungou Lúcia.
            –E não coma na concha.
As meninas tinham um valor semelhante ao guardião e à guardiã do fogo na Idade da Pedra Lascada. Invariavelmente uma delas bafejava o fogo para aumentar as chamas e impedir que se apagasse.
Quando os tijolos do fogão vermelho iam-se amornando, as meninas limpavam o excesso de cinzas que se acumulavam nas bocas do mesmo, com uma pequena vassoura de cabo curto e um pano úmido. As unhas ficavam escuras. A cinza era reaproveitada para os canteiros na horta. Algumas vezes, era necessário respingar água para acalmar as brasas, em outras vezes, os pingos de água caíam sem querer e atrapalhava. Lucilene tampou a panela do buraco de trás e colocou-a na chapa junto à chaleira. Eram três os espaços para o cozimento. Puxou um “tampão” redondo, de ferro fino, e vedou um dos buracos para impedir que a fumaça se espalhasse. Ergueu ela a pesada panela de ferro, o fundo sempre impregnado de carvão, procedeu à limpeza de sempre.
Outro dia:
-Dexe um pouco pra mim. Me dá um bocado, um tiquinho só... Ô mãe, só elas querem raspá a bacia do bolo.- Reclama Lúcia sobre o resto da massa que sobrara.
-É nada! Tem um pitéco procê aqui- Diz Lucilene lambendo a massa do bolo, nos dedos. – Mai venha logo, que tá acabando, sua descabelada!Completa em sussurro.  
            Caiu um cisco no olho de Maria. Dona Auda prontamente já puxa um lenço, e com uma das pontas o vai retirando dos olhos da menina. Em seguida pinga leite.


Tico-tico e o bullying


Deleise, com seu cabelo preto enrolado e suas sardas em tom marrom que realçavam seu belo rosto oval, olhos pretos vívidos. Devido às sardas, os colegas da escola e o irmão viviam dizendo que quebrara ovo de tico-tico. Tratava-se de uma associação das pintas da face com os minúsculos ovos desse pássaro, repletos de pontos marrons, e as pintas na face.  A zombaria a magoava profundamente e até à adolescência isto provocaria crises de choro na menina.

domingo, 4 de novembro de 2012


PASSEIO, OVOS E BORBOLETAS


            Numa das visitas das primas, uma sexta-feira santa, Márcia ajudava sua irmã Lorena a colocar a cela na mula, sobre um “baxero” - pano que protegia a pele do animal-, apertaram a barrigueira, acertaram a corda. Não quiseram fazer uso do bridão, incomodava a boca do animal, este salivava e se inquietava.
            -E a espora, Lorena? –perguntou a prima Larissa.
            -Não precisa! nóis não tem. Munte na Lindóia com a Poly que eu munto com a Isis no Criollo, a pelo mesmo!- Marcia deu um tapinha no traseiro da mula que já saía entre recomendações de tomem cuidado!
-Galope não! -gritou Larissa apavorada, agarrando à cintura de Lorena, sobre o burro.
            -Segura firme, Larissa! Você tem medo até da Lindóia! -gargalhava Poly, ao ver a prima de sua idade, na sua garupa, escorregando da cela da mula mansa, tentando apoiar-se no estribo.
            -Quem chegá primeiro no barranco vermeião vai podê recoiê os ovo do ninho das galinhas – Lorena cutucou levemente o animal com os calcanhares, apressando o Criolo. Em alguns minutos chegavam ao destino.
            -Costa ôpa! –falou Lorena, encostando o animal no barranco. Saltou, ajudou a prima a descer e o atou a um toco seco, permeado de fartas touceiras de capim gordura.
            -Quieta! Xiiiuuu! -pediu Larissa, em vão, querendo se comunicar com a mula. Isis repuxou a rédea com a mão esquerda, enquanto, com o corpo inclinado à frente, a direita tocava o lombo e a crina aparada. Lindóia imobilizou-se e puderam descer. Amarrou a corda com um laço preso a um alto, fino e cheiroso eucalipto.
            -Olha só, que lindas! –Isis extasia-se com um par de borboletas pequenas fazendo malabarismos em ziguezague.
            -Estas estão quase sempre em duas, explicou Lorena, mas...vejam que baita borboletona ali no tronco do calipto. É cinzenta da mesma cor da casca da arvre.
            -É pra disfarçar, assim ninguém as encontra. Definiu Isis.
            -A natureza é sabida mesmo!! – confirmou Lorena.
            -Tem uma preta com uma mancha amarela, ali, olhem, que bitela!- mostrou Larissa, correndo atrás dela. –Olha lá, ali, ali!!!
            -Não pegue nela, que o pozinho das asa tem veneno pros óio!! –falou .
            As meninas se concentraram na tarefa: achar os ninhos onde as duas galinhas “peregrinas” estariam botando há alguns dias. Foram adentrando a reserva de mato, passaram por um capão, adiante algumas moitas dispersas cogitavam a presença de algum ninho. Lorena afastou os arbustos com as mãos e lá estavam eles: cinco ovos, dois deles rajados em marrom e três brancos, cuja dona já tencionava chocá-los, mas no momento saíra para se alimentar. Poly estendeu a cestinha de bambu e deixaram para as primas o prazer em recolhê-los.
            -Outro! Achei outro! -grita Isis, atônita.
            -Onde? –quis saber Lorena. – Ah, sua boba, não é nada. Isso é ovo de codorna ou de nambu, que adoram fazê ninho no chão.
            Andaram mais um pouco e encontraram o ninho; a prima grita, balançando o dedo:
            –Aqui, aqui!Tem um, dois, seis, oito!! Tudo vermelho! Não!!! Quer dizer, tem dois que é, que é ....azullll!! Nossa!!! Que legal!!!!
            -Como pode ser isso? -indaga a prima, pegando um na mão e o levando às narinas.
            -Não sei. Só sei que de vez em quando elas botam bonito, sabe?! -responde Lorena.
            -Vamos catá eles antes que a Preta vorte! Ainda bem que ela ainda não ta choca...Calou-se ao ouvir um co cócó, có  levemente rouco. Olhou para trás e observou a galinha que retornava aos futuros filhotes.
            -Que que foi Lo? -indagou Larissa, sem entender nada.
            -É, é dela o ninho, e já ficou choca! - esclareceu Poly, afastando-se.
            -Não ponha a mão neles! -gritou Lorena à prima Isis, que permanecia agachada junto ao ninho. –Já começô a chocá. Bem que a mãe desconfiava do jeitão da Preta.
            -Mas e agora? -pergunta a prima.
            -Dexa eles aí! Os ovo tão galado.
            -O que é isso?
            -O galo Alarico cruzou os ovo drento da galinha e daqui a.......dias vai nascê uma ninhada de pintinho. -Explicou Lorena.
            -Oito! -completou Poly.
            -É, mai agora dexem ela aí e vamo vê se tem ninho da Carijó e da Galega lá praquelas bandas, que elas não tão mai botano no paiol.
            -Lalá, ocê tá cheia de picão!  Ah ah ah !-Poly ria da menina cuja calça estava lotada de semente preta e fina. Ajudou a retirar um a um.
            -E oceis tão tudo com carrapicho. Pinica a mão, viu?! –fala Lorena, levantando a barra da calça para extraí-los. 
            Chegaram a casa exaustas, depois do banho no rio foram escolher o feijão na bacia, o arroz na mesa. Isis ficou fascinada pela destreza da tia Silvia abanando o feijão em uma grande peneira. Seus olhinhos acompanhavam o sobe e desce dos grãos, cuja palha ia caindo ao chão, permanecendo na peneira o feijão limpo, sem derrubar o feijão junto com a palha que “voava”. Tal era a agilidade do movimento que mal dava para perceber a existência dos grãos. Sua vista ficou embaçada e pediu à tia se podia fazer também. A resposta foi um não bem taxativo. Dona Silvia não pretendia perder todo o feijão colhido. A menina não insistiu. Palavra de tia não se volta atrás. Se bem que as suas filhas sabiam tranquilamente peneirar os alimentos desta maneira eficiente.
            -Lavem bem as mãos com sabão, pra janta. Tem água no barde ali fora, falou Dona Silvia, e disse também a Poly:
            -Poly, limpe este narótio, vamos?! –O nariz da menina desprendia o catarro, enquanto o cachorrinho Lulu abanava o rabo, tentando afastar-se das moscas inoportunas.          Marcia as amaldiçoava:
            –Saiam de mim!!!
            Na manhã seguinte, como já era costumeiro, acordaram de madrugada. Mas neste dia em especial, “quem ficar por último é mulher do padre”, um correndo mais que o outro para chegar ao rio e lavar os olhos. Só os olhos! A água ficava gélida nesta época do ano e a ordem primordial era “Junior, Larissa e Isis, lavem bem os zóio pra vocês terem boa visão pro resto da vida”.
             Dona Silvia foi orientando os sobrinhos na sua religiosidade e fé. Era sábado de Aleluia! E era costume lavar os olhos na água fria do rio antes de iniciar qualquer atividade neste dia. Superstição ou não, isso “garantia” uma boa saúde aos olhos das crianças, além de lhes propiciar um clima de curiosidade e magia contagiantes.
            -Mas se der dordóio é só pingar leite no olho, não é? -comentou a tia Ana ainda na cozinha.
            -Ah sim, é um santo remédio! -fala Dona Silvia espreguiçando-se.
            -Lave a fuça toda, Isis! pra se acorda! – Marcia alerta a prima que, com as pontas dos dedos lavava exclusivamente o canto dos olhos, com os pés fincados no saibro do barranco, à margem do riacho.
            -Mas tá muito gelada.Ui! –explica a menina sem pestanejar. –Sua mãe falou “os zóio!”. Atchim!!!
            -Saúde! -riram todos e começaram a jogar água para o alto. Correram à casa para se aquecer, brincando de pega-pega.
            -Figuinha! -Teca cruzou os dedos da mão direita, pedindo uma pausa na corrida. Parou para apreciar um pica-pau furando o velho ipê roxo. 
            Passaram pela porta da cozinha: Larissa sentada numa cadeirinha improvisada – Lorena e Isis com os braços entrelaçados transportavam a menina-, enquanto Marcia e Junior faziam o mesmo com Poly.  
            -Venham ver! Venha ver, mãe! Eu estou alta! –Larissa chama a mãe e a tia.
             -Não façam banzé! -lembra Dona Silvia.
           

sábado, 20 de outubro de 2012

Dicas de leites vegetais diversos - muito saudáveis




 Castanha de caju e amêndoa são bem saborosos  - Sua principal função no organismo é proteger os vasos sanguíneos permitindo que toda a circulação do sangue flua melhor. Fornece proteínas e também diminui o colesterol, etc.
Preparo: Um copo de castanhas para três a quatro de água. Bata, coe bem e obtenha quatro copos de saúde.

Arroz Integral - Um poderoso desintoxicante. Os nutricionistas dizem que o leite de arroz “descansa” os órgãos do corpo. Tem proteínas, vitamina B1 e niacina, responsáveis pela transformação das proteínas e carboidratos em energia.
Preparo: Deixe de molho por oito a dez horas, dois copos cheios de arroz. Leve ao fogo com o dobro de água. Exemplo: dois copos de arroz para quatro de água e assim proporcionalmente. O arroz deve ficar ao fogo sob a medida da mão, ou seja, assim que a mão não suportar mais o calor, é hora de desligar e abafar. Bata e coe várias vezes seguidas. Dois copos de arroz rendem meio litro de leite.

Quinua -Comparada ao leite materno em valor nutritivo, a quinua é riquíssima em proteínas e, segundo os antigos incas, o alimento mais rico do planeta em aminoácidos e vitaminas.
Preparo: Coloque de molho por oito horas um copo de quinua em grãos. A seguir, bata no liquidificador com três copos de água filtrada ou mineral e coe por três vezes. Rende cerca de meio litro de leite.
Semente de abobora - Verdadeira mina de ferro, fósforo e cálcio, combate anemia, ajuda na formação de glóbulos vermelhos, na oxigenação das células e na formação de ossos, músculos e cérebro. Limpa os intestinos e combate vermes. As sementes frescas são indicadas para náuseas e enjôos das gestantes.
Preparo: Para obter um litro desse néctar de saúde, separe um copo de sementes e deixe-as de molho por uma noite. De manhã, bata com três ou quatro copos de água filtrada. Coe bem.

Aveia - A aveia é um cereal importante na alimentação dos diabéticos, pois contém fibras solúveis, que auxiliam no controle da glicemia. Protege o coração e a circulação contra a aterosclerose. É rica em cálcio, ferro, magnésio, vitaminas do complexo B e por conter fibras, facilita o fluxo intestinal.
Preparo: Separe um copo de aveia em flocos. Hidrate em água por uma noite. Na manhã seguinte, bata com três a quatro copos de água, coe e obtenha um litro de leite. 

Soja - Um grão de “bom senso”, tamanho o seu equilíbrio nutricional. Possui fósforo, magnésio, ferro, cálcio, cobre, diversos aminoácidos essenciais, e doze vezes mais proteína do que o leite de vaca. Por ser altamente nutriz, a soja não só revitaliza como proporciona uma verdadeira regeneração celular.
Preparo: A soja necessita ficar de molho no mínimo seis horas. Após esse período, bata-a no liquidificador na proporção de um copo do grão para três de água filtrada ou mineral. Coe em um pano, espremendo bem o bagaço e leve o leite ao fogo até ferver - com cuidado para não entornar. Após levantar fervura, abaixe o fogo e deixe-o cozinhando por 30 minutos. Um copo de soja dá cerca de dois litros de leite. Seu resíduo, a okara, também precisa de cozimento antes de ser reaproveitado como alimento.

Gergelim - O gergelim é ótimo para os músculos e o cérebro. Tem muita proteína e ácido fólico, essencial na formação das células sanguíneas.
Preparo: Um copo de sementes de gergelim dá quatro copos de leite. Deixe as sementes de molho por oito horas e bata com quatro copos de água. O resíduo do gergelim batido pode virar um delicioso “queijelim”. Acrescente azeite, sal, orégano e misture bem até atingir a consistência de corte.

Castanha do pará - As castanhas-do-pará são conhecidas como “pílulas da felicidade”. Cada uma possui 60 mcg de selênio, um importante antioxidante que varre as impurezas das células. Contám ainda vitaminas E e B1, que exercem papel importante no metabolismo das proteínas e na geração de energia.
Preparo: Um dos mais saborosos! É como tomar leite vindo diretamente da castanheira… Deixe um copo de castanhas pré-lavadas de molho por cerca de oito horas. Bata com quatro copos de água - sempre filtrada ou mineral - para obter três copos de leite. Por ser um leite mais gorduroso, o leite de castanhas precisa ser coado quatro vezes. 

Girassol - Talvez sua principal propriedade seja a de ser um antioxidante poderoso, protegendo o organismo contra a poluição, o estresse e o envelhecimento precoce. É rico em proteínas e contém minerais como fósforo, cobre, ferro, zinco e vitaminas B6, E e K.
Preparo: As sementes utilizadas podem ser com ou sem casca. O importante é que não contenham sal. Deixe um copo de sementes pré-lavadas imersas em água por oito horas. Em seguida, bata no liquidificador com três a quatro copos de água filtrada. Coe bem para obter cerca de meio litro de leite “regado pelo sol”!


Todo leite vegetal pode ser tomado puro ou adoçado com melaço, açúcar mascavo, etc. Vale inventar e criar suas próprias receitas. Eles combinam muito bem com frutas e podem ser batidos no liquidificador com banana, mamão, maçã, abacate, até abacaxi.
Também ficam ótimos com frutas secas como ameixa-preta (sem caroço), damascos e uva-passa. Uma boa opção é deixar as frutas secas de molho por algumas horas antes de acrescentá-las ao leite, para que fiquem mais macias e soltem com facilidade seu açúcar natural.
Os segredos que fazem toda diferença:
» Lave bem os grãos antes de começar o processo de “tirar o leite”.
» Todo resíduo poderá ser reaproveitado em sopas, mingaus, assados ou na confecção de pães e tortas.
» Para obter uma consistência homogênea, os leites vegetais necessitam ser coados de três a quatro vezes em peneira fina ou pano macio. Coe, separe o bagaço e volte a coar sucessivamente. No caso de optar pelo pano, faça um saquinho largo e reserve-o só para esse fim. A vantagem do saquinho é que com ele pode-se “ordenhar” os grãos - o que dá uma sensação especial e gratificante.
» Os leites vegetais não toleram temperaturas elevadas. Conserve-os sempre em geladeira e se precisar aquecer, não deixe ferver, pois podem talhar. O uso da canela é indicado quando o leite for aquecido

Parente ninguém desmente



         
              Depois que Eduardo foi contratado por seu tio Alfredo, ex-prefeito da cidade de Mirabó e atual deputado estadual, suas chances de galgar degraus sem muito esforço e de garantir o futuro, principalmente o presente, de sua família, aumentaram como num passe de mágica.
           Eduardo, assessor do tio, estava bem próximo da esposa que, contratada, o assessorava. As brigas com os filhos gêmeos, se já eram constantes tornaram-se descontroláveis, pois ambos secretariavam o pai e a mãe e, para completar, as noras atuavam na administração de uma empresa pública, indicadas pelo tio e pelo sogro, evidentemente. Nada tenho contra gêmeos, entenda bem, caro leitor e assídua leitora, apenas considero a semelhança macabra, pois comprova o parentesco, sem qualquer exame de DNA ou apresentação de RG. 
        Quando o deputado Alfredo faz a passagem para outra dimensão, ou seja, aos mais entendidos “bateu as botas”, deixa seu passaporte ao sobrinho Eduardo, elegera-o seu sucessor dentro do mesmo partido – poderia ser de outro, que não faria diferença – por meio de uma campanha fraudulenta, com compras de votos, é claro. Desculpem-me pela franqueza, mas nos últimos 12 anos ando desacreditada de política, não da verdadeira política que, a meu ver, em tudo está inserida e digna de confiança, esta não, pois esta, creio, só existe no plano da utopia e na cucanha.
             Poderia eu apostar nos gêmeos, ou em Eduardo, que é filho único e nada sabe das partilhas e das concessões entre irmãos, ou em qualquer outro nome, como um amigo artista que se candidata a vereador com o intuito de pôr a mão na massa e alterar o sistema?            Também já aspirei me candidatar, ir candidatando, cândida, atando, ganhando as eleições... até ser presidente do Brasil, porém sei que minha sensibilidade me faria vomitar as tripas e quero morrer d’outra forma mais serena. 
         E quando nasce o neto de Eduardo, este logo vai dizendo, ainda na maternidade “há de se cuidar do broto...!”, confirmado pela esposa “tem de pôr o pé na profissão, meu futuro assessor!” O bebê, tão bem alimentado, desconhecia ainda a fama da família, mas intuía que algo ali não lhe pertencia. Crescido, deu um basta no nepotismo e partiu para a literatura, semeando ideias de generosidade e sabedoria. E olha, não era aquela época do coronelismo no Brasil, não, viu!

segunda-feira, 1 de outubro de 2012


NO CAMINHO, COM MAIAKÓVSKI
                (Eduardo Alves da Costa)

Assim como a criança
humildemente afaga
a imagem do herói,
assim me aproximo de ti, Maiakóvski.
Não importa o que me possa acontecer
por andar ombro a ombro
com um poeta soviético.
Lendo teus versos,
aprendi a ter coragem.
Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.

Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

Nos dias que correm
a ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz:
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.
No silêncio de meu quarto
a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas amanhã,
diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade
como um foco de germes
capaz de me destruir.

Olho ao redor
e o que vejo
e acabo por repetir
são mentiras.
Mal sabe a criança dizer mãe
e a propaganda lhe destrói a consciência.
A mim, quase me arrastam
pela gola do paletó
à porta do templo
e me pedem que aguarde
até que a Democracia
se digne aparecer no balcão.
Mas eu sei,
porque não estou amedrontado
a ponto de cegar, que ela tem uma espada
a lhe espetar as costelas
e o riso que nos mostra
é uma tênue cortina
lançada sobre os arsenais.
Vamos ao campo
e não os vemos ao nosso lado,
no plantio.
Mas no tempo da colheita
lá estão
e acabam por nos roubar
até o último grão de trigo.

Dizem-nos que de nós emana o poder
mas sempre o temos contra nós.
Dizem-nos que é preciso
defender nossos lares,
mas se nos rebelamos contra a opressão
é sobre nós que marcham os soldados.
E por temor eu me calo.
Por temor, aceito a condição
de falso democrata
e rotulo meus gestos
com a palavra liberdade,
procurando, num sorriso,
esconder minha dor
diante de meus superiores.
Mas dentro de mim,
com a potência de um milhão de vozes,
o coração grita – MENTIRA!

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Iniquidade





Inerte, o corpo de João jazia

Seu pai, Jordão, noutro dia se aposentaria

Policial honesto era a sua profissão

E agora jorra lágrimas em profusão

 

João vinha do cinema

Para a simples casa em Piracema

Num flash o tiroteio

O garoto no meio

 

Mal pode virar seu corpo

Correr nem pensar

A bala o atravessou

De modo ímpar não par

 

Pai Jordão largou as armas

Sem serventia na dor

Armou-se de compaixão

De compaixão e furor

 

Acalentando o belo filho

Num caixão de rosa em flor

Nada lhe parece real

Nem o botão murcho nem a sua dor

 

Fala anestesiado

Sua face negra, cansada

“João, meu filho, irmão!

Trilhará facilmente a sua evolução!

 

Não verá o egoísmo e a exploração

Não sofrerá violência

Nem corrupção ou torpeza

Será um farol na imensidão”

 

Finda assim tal história

Como tantas iguais por aí

Sem razão sem memória

Largo minha caneta aqui