Breve comentário sobre as andanças do Andaime...
Acabo de ler o livro Andaime – Um Jeito de Ser, escrito pelo doutor em História Social e
Mestre em Teatro, Alexandre Mate, com uma rica abordagem sobre a trajetória dos
25 anos do premiado Grupo Andaime de Teatro Unimep, lançado recentemente. O livro contém, relatos dos integrantes do
Grupo, dos diretores e autores, cartas, comentários sobre os onze espetáculos
encenados e algumas cenas, entrevistas aos heróis que, em 1986, fundaram o Grupo
- Antonio Chapéu e Carlos Jerônimo. Faço, então, um feedback de minha morada no
grupo por mais de 10 anos. Não esqueço os bonecos do Elias, recriados na
Itália, com maestria do nosso diretor, Carlos ABC, em 1999. Lá, o público
recebeu o programa “Dove il Pesce si
Ferma”. Ao término do espetáculo só se ouvia “Bravo! Bravo!” acompanhados
por intermináveis palmas, vindas dos corpos em pé, como jamais visto, por cerca
de 8 minutos. Aquela sensação ficaria registrada eternamente na memória de cada
um. Seguiu-se um debate “pela plástica
teatrale, scenne, capiamo tuto!!”, diziam. Depois chuparam cana - algo
jamais visto por eles, nesta região fria- que as meninas iam descascando e
repartindo em minúsculos pedaços, sobras da cena de “cuspir cana”, das irmãs Dora
e Deleise (Luzia e Vania), “humm, é doce!!”.

“Lugar onde o PEIXE para”, estreado em 1996, apresentado durante mais de 12 anos, a intenção do grupo era enfocar a historicidade do ser humano, em seus costumes, suas raízes e memória; deu-se destaque ao universo caipira na reconstrução de sua identidade. Assim surgem personagens como a Nossa Senhora dos Prazeres que fez “banana” pra cidade, a Cobrona, a Moça do Rio, a Inhala Seca. Destacam-se as brincadeiras, que inté minha filha Polyana, na época com nove anos, participou; a Festa do Divino com a catira, a congada e o cururu; o corte de cana, os conflitos da sexualidade na adolescência, as crendices, tendo como fio condutor a lenda do Rio. O jargão tão conhecido pelo Brasil afora “São as deliciosas pamonhas! pamonhas de Pi-racicaba...!”repetido por Denirso (Paulo Farias). Adeus Dora, adeus Francesca, festeiro do divino, beata, cortadora de cana, viajante... Até um dia, Irma (uma das 3 Graças). Parabéns a todos vocês e outros personagens que por mim passaram, levaram um pouco de mim e, um pouco para mim deixaram. Meus amigos e minha mãe Auda, senhora dos figurinos e cenários.