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quarta-feira, 9 de maio de 2012


SIMPLESMENTE AMOR



Amor

Saturado, escorraçado

Não é amor.

Não se define num soneto

Não tem restos, pois inteiro.

Ama-se com os sentidos

Essência completa

Com ou sem devaneios

O amor, o amor, o amor

Tantas vezes pronunciado

Às vezes fugidio e medroso

Dá a cara pra bater

Como um louco cuidadoso

 Ou louco apaixonado

Escapa-me a total absorção

Desse sentimento habitado

Sim, o amor tem sempre moradia

Seja um palácio

Ou uma humilde cabana


Sempre há espaço

À sua inclusão

Perdoa, quem ama

E a quem ama, perdoa

Os equívocos e desatenção








sábado, 5 de maio de 2012

Encontro com Tinoco
(Show dos Pamonheiros)

Era um show regional em Piracicaba, com cateretê, rock e moda caipira mesclados. O anúncio era de que o Tinoco ia dar o ar da graça. Fulminado por esta expectativa fui até o teatro municipal. Vi vários grupos e rostos conhecidos, ex-colegas de trabalho e transeuntes do dia-a-dia, sem saber que faziam tão bem aquela arte no palco. Lá pelas tantas anunciou-se a presença ilustre. Pensei que viria um cover! Que nada! Em passos lentos e de mãos levantados um velhinho bonito, de terno amarelo e cabelos como algodão doce, vinha com os olhos brilhando. Era o Tinoco mesmo. Quase fui beijar-lhe a mão. Muitos aplausos.
Depois foi dizendo sobre a proteção ao meio ambiente, a seu modo, com muita emoção, de quem quer deixar uma semente, uma pequena sementinha que seja, na beira do rio, que se refaça a mata ciliar. Falou como um xamã, sentou-se numa cadeira como um trono, a cabeleira branca lhe parecia um cocar de um sábio indígena. Poucas palavras ou nenhuma já atingiriam o entendimento da platéia em “transe coletivo”. Pude ver de perto a alma do Brasil. Sem cerimônia ouviu e cantou suas modas em ritmo de rock, com a sensibilidade de um verdadeiro artista, sem medo de qualquer estereotipo. A arte e os artistas assombram as categorias racionais mesmo. Há muitas formas vertentes da mesma raiz.
Saiu de cena, cansado para “pegar o seu cavalo”. Tinha compromissos em São Paulo. Veio “dar uma força” “aos menino”. Cochichei a minha esposa que se tinha ido a chance de autógrafo. Era compreensível. Via-se o cansaço, o peso da idade e a emoção que se submeteu. Via-se também que nos tantos anos de sua ditosa vida mantinha o carisma, tinha uma bússola interna para comandar um show, entrar e sair de cena. Contou histórias de sua vida, algumas das quais conheço por livros ou de admiradores. Manifestou a vontade de mudar e vir morar na região de Piracicaba. O que nos seria gratificante. Ver o Tinoco nos shows, assistindo peças de teatro, subindo nos palcos e fazendo compras por aí, não sei se teria o sossego que precisa.
Estava satisfeito com a despedida do Tinoco, pensei que não fosse ficar até o fim do show e ia “pegar o cavalo para São Paulo ao entrar pela coxia”, mas no final da apresentação fui até a recepção junto dos camarins e lá um senhor em pé, sozinho, com a cabeleira branca e eu disse a minha companheira “olha lá, é ele!”. Simples e sereno. Vi e senti todo um passado ali na minha frente – o herói de meu pai, de meu irmão quase-gêmeo, as suas modas que ouvíamos pelo velho radinho de pilha com interferências, os programas que fazia pela TV, toda uma história de emoção ali, toda aquela presença. Falei muito, queria dizer tudo de vez. Não sei se me conseguiu ouvir ou entender ou assustou-se comigo, falei de meu pai que o “adora”, minha esposa ia me corrigindo; ele todo-ouvidos, sereno como um ícone que é perguntou: “Seu pai mora aonde?”. Naquele breve momento nem sabia como responder ou porque perguntara isso, um autógrafo bastava e ele queria contatar meu pai? Conhecê-lo como se houvesse uma amizade antiga? Será que queria ir à casa do meu pai? Não tive tempo de mais delongas, outros, percebendo o movimento e a figura dele, vieram e tinham todo o direito. Eu fui matutando o que ele quisera dizer com “seu pai mora aonde?”.
O artista tem de ir onde o povo está e ele, velho, cansado, com compromissos familiares, veio a Piracicaba. (Texto de Camilo I Quartarollo).
Na foto, Camilo, os queridos amigos Val e Jil, eu e Tinoco. Minha homenagem à alma dele e de seu irmão Tonico, tão apreciados e cantados por minha mãe e minhas tias, e por mim, na infância.

sábado, 28 de abril de 2012


              Sobre o Grafites de sexta-feira, 20, “Em busca de novos escritores”, A Tribuna está de parabéns pelo espaço que vem abrindo para os escritores com a coluna Prosa & Verso semanal e outros campos para artigos e crônicas, bem como divulgação de eventos literários e lançamentos de obras. Considero muito apropriado o texto crítico feito pela coluna hoje, de fato, nós escritores temos de buscar a abordagem correta, dialogar com o leitor de forma sucinta, mas profunda. Não podemos simplesmente destrancar gavetas com escritos velhos, o livro deve ser resultado de um projeto elaborado, quer seja conto ou romance deve ter uma abordagem própria, em detrimento da vaidade do autor. O livro ou texto deve ser tal que o autor saiba dizer sobre ele o que quis dizer e descobrir qual o objetivo quis alcançar, com quem está se comunicando. Se é somente consigo mesmo, que vá fazer terapia. Sou contra o argumento de que o livro tem de ser doado. Exceto aos reconhecidamente pobres, tem de ser vendido sim. Aliás, pela experiência que temos aos tidos como pobres é que fazem questão de pagar e não aceitam mera doação, quando querem possuir uma obra assinada e autografada, mesmo que o escritor seja um vizinho ou conterrâneo. Afinal, o bom livro demanda trabalho e custo, e muito trabalho e amor, amor, e uma verdadeira obra vale por gerações, quer a comprem ou não. Acrescento ainda que escrever pode ser um processo angustiante, de ansiedade, de debilidade física e intelectual, mas é um ato de amor em se comunicar com o leitor transcendental, e quando findo é uma obra, uma vida. (Camilo I Quartarollo).
 Olha quanta gente linda!
alegre,
 e agora diga,
 não é de se orgulhar?
 Amigos,
 amigas
gente boa...

                                               Obrigada.
                                                                                                                    ...

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Coquetel Cultural na noite de lançamento do livro A COLECIONADORA DE OVOS!!

   Amigos, estou aqui para agradecê-los por tanto carinho e amor que nos envolveram na noite do lançamento. Divido minha alegria com vocês, com minh´alma lotada de gratidão. Uma linda noite, pessoas maravilhosas, escritores, atores, cantores, músicos, dançarinos, todos somos poetas da vida, seres iluminados! A graça da apresentadora Ana Marly Jacobino, os sorrisos e afetos! A super  família, aos que vieram de longe... A toda a imprensa e sites dos amigos, obrigada pela divulgação!
  Você vai se deliciar com as proezas dos 12 contos!! Algo inesperado já está lá acontecendo...

sexta-feira, 13 de abril de 2012


TALENTO



Só pode quem pode

Só faz quem sabe

Só sabe quem procura

Ou já o tem guardado

Num baú privado

É de sonhos

Imaginação e trabalho

Talento e suor

Que se reinventa

Cada vez melhor

Artistas que todos querem ver

Horas sem comer

Meses de ensaio e estudo

Pesquisas a miúdo

Sem pausa

Não pode desaquecer

A arte é a causa

E nunca tá bom

Tem mais pra fazer

Oferenda ao público



Artista teatral

Artista em geral

Seres únicos

Sensibilidade essencial

Sem eles o que faríamos, afinal?


segunda-feira, 26 de março de 2012


HOMEM


Já fui som

Fui água

Fui ar

Vivi na terra

Comi fogo

Fui tigre e lobo

Veloz

Fui mico

Fui bobo

Fui coruja

Içá e abelha

Sentinela

Humano

Hoje sou lodo

Hipócrita

Corrompido

Insensato

Orgulhoso e egoísta

Sou um engano!