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segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Divido com vocês, hoje, uma nota na qual meu ex diretor, Sr Walter Vitti, da extinta Escola Primária Prof Santos Veiga (Usina Costa Pinto) tece comentários sobre o crescimento da mulher em várias áreas e a respeito de meu livro. Aproveito para convidá-los a participarem do Ponto de Leitura e debate com os escritores e professores Ademir Barbosa Junior (Dermes) e Christina Negro, no PONTO DE CULTURA GARAPA, Piracicaba. Gratidão e abraços a todos! Meus sinceros agradecimentos ao senhor Walter amigos de infância!



















Os debatedores no Ponto de Leitura:

Ademir Barbosa Júnior (Dermes) é Mestre em Literatura Brasileira pela Universidade de São Paulo, onde também se graduou em Letras. Professor, leciona desde 1991, com experiência do Ensino Fundamental à Pós-graduação. Autor de diversos trabalhos, com 13 livros publicados, com indicações como Prêmio Jabuti, Programa Nacional do Livro Didático e Programa Nacional de Bibliotecas Escolares, é também autor de revistas especializadas nas áreas de Linguagens, Literatura, Redação, Biografias e Terapias Holísticas. Em Piracicaba, é Coordenador Cultural do “Projeto Tambores no Engenho”, desenvolvido pela Tenda de Umbanda Caboclo Pena Branca e Mãe Nossa Senhora Aparecida, responsável pela criação, pesquisa e encaminhamento do espetáculo “Águas da Oxum”, e idealizador e um dos coordenadores do Fórum Municipal das Religiões Afro-brasileiras.

Christina Aparecida Negro Silva é educadora, professora há mais de trinta anos, ministra cursos de pós-graduação de Leitura & Escrita na CEUNSP em Itu e em colégios particulares. Mestre em Educação pela UNIMEP, tem artigos sobre Educação publicados em revistas acadêmicas. Contadora de Histórias, publicou o livro "Histórias que amigos contam" em 2005, junto com também "contadores" desta Arte. Atualmente, atua como diretora da E. E. Profª. Catharina Casale Padovani e como professora de Leitura e Produção de Textos no Colégio Dom Bosco - Assunção em Piracicaba.


quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Hoje vou relembrar e homenagear os autores da Música MUDANÇAS. Um espetáculo para refletir e sonhar!

Mudanças
Vanusa
Composição: Vanusa e Sérgio Sá
Hoje eu vou mudar
Vasculhar minhas gavetas
Jogar fora sentimentos e
Ressentimentos tolos
Fazer limpeza no armário
Retirar traças e teias
E angustias da minha mente
Parar de sofrer
Por coisas tão pequeninas
Deixar de ser menina...
Pra ser mulher

Hoje eu vou mudar
Por na balança a coragem
Me entregar no que acredito
Pra ser o que sou sem medo
Dançar e cantar por habito
E não ter cantos escuros
Pra guardar os meus segredos
Parar de dizer
"não tenho tempo pra vida"
Que grita dentro de mim...
Me libertar

( parte declamada)

Hoje eu vou mudar
Sair de dentro de mim
Não usar somente o coração
Parar de contar os fracassos
Soltar os laços
E prender as amarras da razão
Voar livre
Com todos os meus defeitos
Pra que eu possa libertar os meus direitos
E não cobrar dessa vida
Nem rumos e nem decisões
Hoje eu preciso e vou mudar
Dividir no tempo e
Somar no vento

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

cena de teatro


NOBREZA

Dois andarilhos, moradores de rua,  conversam sobre o domingo.
Sandro – Hoje tem missa, você vai?
Santos – E acha que eu vou perder? É claro que nós vamos!
Sandro – Eu não vou, não gosto de missa de domingo, tem cara de frango!
Santos – Não tem cara de frango, tem cara de sol quente! Mas nós vamos!
Sandro – Você vai na frente e pegue lugar pra mim!! Depois eu vou, não quero ficar em pé.
Santos – Esta camisa tá boa? Mandei lavar na semana passada...
Sandro – E este sapato tá bom? Você engraxou pra mim, lembra? Brigado!
Santos – Eu adoro domingo, e quando chove é melhor ainda...
Sandro – É lava a alma...
Santos – E o nosso corpo também?!! Mas, olhe, a minha não tá suja, só se for a sua!
Sandro – Tá legal, é a minha que tem fedido muito ultimamente...mas não sei  por quê.
Santos – Eu já tomei banho hoje lá no chafariz, e você?
Sandro – Eu também, e bem cedinho, desse modo eu peguei ela mais fresquinha e mai limpa. Tome um cheirinho (oferece perfume para Santos).
Enquanto vão se arrumando, vão guardando a trouxa e saem calmamente, elegantes, com dignidade, sabedoria e alegria.

domingo, 21 de agosto de 2011

O ESPERTINHO


                             
Quando criança, vestia roupa verde
Crescido, uso marrom
Se eu quiser colorido,
Ups! Não dá, não!
Sabes quem eu sou?
Conheces minha morada?
Somos família bem grande
E não temos empregada.
Vivo onde me levarem
Cresço rápido, sou assim!
Simples, mas também complicado,
Ai! Adoro ficar num jardim!
Igual a ti, quero água!
O sol, a noite, o ar e a chuva...
Se só sol, ou, se só chuva
Desequilibro, adoeço!
Ahh! Meus vizinhos, que são muitos
Padecem do mesmo mal.
Quase nunca estou sozinho, a tudo compartilho.
Crescido, sou debulhado
Vendido e comprado, com outros, ensacado.
Cuidadosamente preparado
Servido, sou elogiado!
Fui útil, respeitado!
Sou um feijão
Que um dia foi semeado.

- Quero aproveitar e convidar aos amigos e amigas a prestigiarem a apresentação da orquestra, coro ( no qual participo) e balé Tchaicovsky, com o MAESTRO Fernando Villate Ortiz - Lar dos Velhinhos, dia 28 de agosto (domingo), às 16h, entrada gratuita. Com direito à ópera e solistas. Agradeço com um grande abraço a todos vocês!

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

      Um saudável relacionamento entre uma mãe e seu filho adolescente. Juntos, compõem a família, mais o cachorro Morcego, e irão enfrentar situações difíceis e situações engraçadas.  A história é permeada por valores e questões éticas, predominado o bom humor e o altruísmo do garoto Nino. A mãe, Dona Alzira, é costureira dedicada, encontra um enorme botão reluzente, que será utilizado por Nino para compor seu clown (palhaço). Vem à tona o palhaço  que reside, muitas vezes escondido e medroso, dentro de nós, criança ou não.
 A inspiração veio, em grande parte, de minha mãe, Dona Auda, que foi uma grande costureira, aqui em Piracicaba, além de ser exemplo de luta, coragem e sensibilidade.  Era pura generosidade e sabedoria, seja nesta profissão, anteriormente como lavradora, ou, como mãe, amiga no dia-a-dia. Minha irmã, Cida, e eu, chegamos, inclusive, a vender na rua, algumas roupas que ela produzia, como camisas e roupas de criança. Outro dia me perguntaram “ e o clown, quem é?”, fiquei pensando... e, slepp!! Descobri que, provavelmente, o clown era eu mesma, hehehhe!
  A princípio, seria para crianças em idade escolar (5 a 11 anos), mas, pelo seu conteúdo e forma, é bem agradável às menores e conquista também os maiores, de qualquer idade; já tive ótimo retorno tanto dos pequenos e pequenas quanto dos outros , pois a criança interior e o lúdico trespassam nossa existência, sem fim...
      A espontaneidade da criança, aliada à importância da leitura, motivaram-me a escrever para este público. Se bem que, escrevo para dizer aquilo que me toca, me comove, mexe com a sensibilidade e reflexão, por que, não?! Acredito que a leitura é um caminho mágico e gratificante que levam às mudanças!
     Ilustrações bem legais (do Camilo Irineu Quartarollo) para serem pintadas à vontade!
       Aos professores, à família das crianças e às pessoas, em geral, está aí uma super dica: presentear com um bom livro é sempre um ato de sabedoria!
                                   Acesse o site da TV Unimep http://www.tvunimep.wordpress.com/
                                  Grata a todos vocês que estão me dando tanto impulso e carinho. A Deus pai e mãe!

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

PRINCESA

               Em novembro de 1999 entra uma nova componente na família: Princesa. Fazia anos que Poliana vinha pedindo à mãe um ou uma cachorrinha. Esbarrava na aceitação ou não da avó. Dona Auda não gostava da ideia de conviver com um bicho em sua casa. E quem limparia as fezes? Levaria para passear? E os latidos então? Como impedi-los? Luzia considerou todos os argumentos e concluiu ser importante para a menina o contato com algum animalzinho, haja vista terem ficado sem os coelhos. Teria de enfrentar uma batalha com a mãe e convencê-la a aceitar tal ideia. Eis uma tarefa árdua. Luzia começou aos poucos, mês a mês falando das vantagens e da simbologia da mascote para a neta e para a família.
Conversou claramente com a filha sobre os cuidados e responsabilidades que teria com a cachorra. Não a deixaria latir muito, seria treinada a não estragar as coisas e, entrar em casa “nem pensar!”
-Nada de animais andando pela casa. Isso é falta de higiene- Pensava Luzia.- Pesquisou a melhor raça, ou seja, aquela que não soltava pelo, não fosse agressiva, tampouco de grande porte. Tinha pavor de cães grandes e bravios. Optou-se pela poodle.  -As fêmeas são mais limpas, li numa reportagem. –Explicou Luzia, com a total concordância da filha.
            -Gosto da cor caramelo, mãe. -Opinou Poliana.
            -É bonita mesmo. A cor preta também me apetece.
            - Tem um brilho lindo, só que daí não dá para ver se tem carrapato ou pulga. -Lembrou Poliana.
            -É verdade!
            Não conseguiu uma de tonalidade caramelo, veio uma branquinha que foi logo aceita, e Dona Auda, meio contrariada, algum tempo depois, também foi conquistada pela graça e doçura do bichinho.
 Nas primeiras noites de lua cheia, Luzia levantou-se inúmeras vezes para acalmar a filhote, que só fazia chorar e dava uns latidinhos ainda desafinados. Seu quarto localizava-se ao lado da cozinha, rente ao quintal. A cachorra, em sua casinha de madeira pintada por Poliana, com florzinhas vermelhas e brancas, dividia o espaço com as jabuticabeiras e flores. 
De madrugada Luzia pulava sua janela e ia ter com ela: acariciava-a, punha–a de volta na sua confortável residência e, quando ela se aquietava, Luzia podia voltar a dormir, não muito sossegada. Dali a algum tempo o choro da recém- nascida despertava-a novamente. Ralhava com ela, explicava a situação, dava bronca falando duro, dava tchau e voltava para a cama. Isso costumava dar certo: a cachorra sossegava. Agora ela era a avó da cachorra e fazia qualquer sacrifício pra cumprir o combinado com a mãe. Não queria despertar o seu leve sono. Sabia que ela sofria às vezes de insônia e que os latidos estridentes a acordariam facilmente.
 Os saltos pela janela se repetiram até que Princesa se acostumou com o ritmo da casa. Não era nenhum castelo, mas tampouco a frieza da rua. Tornaria o seu novo lar, repleto de amor e carinho por ela, vice-versa. Depois, Poliana deixava a cachorrinha dormir em seu quarto, às escondidas, fazia-a entrar pela janela.
            -Não gosto de contato com cachorros, mas também não acho certo estas pessoas que arrumam um animal e depois só judiam dele. Se o tem, devem cuidar bem, sem maltratar. Mas cadê a Princesa? -Quis saber Dona Auda.
            -Não a vi. Não está deitada na garagem? Ela gosta de ficar lá, espiando a rua pela fresta do portão.
            -Já olhei, não tá lá. Poliana, você viu a Princesa? Ela sumiu, falou à neta que chegava da escola com seu belo fichário preto e amarelo, procurando de novo sob sua cama.
            -De manhã eu a flagrei tentando subir naquela árvore que fica dentro do cercado. Parecia uma macaquinha branquela .-Explicou Poliana. - Foi até ao alto. Peguei e a pus no chão.
            -Nunca vi cachorro trepar em árvore, e ainda mais filhote, disse a avó, percorrendo os olhos pelo quintal.
            -Será que ela fugiu? Mas por onde?-Indagou Luzia. -Está tudo fechado. -Entreolharam-se e levantaram-se rapidamente. Correram pelo corredor interno e abriram a porta da sala. Lá estava ela! Deitada em frente ao portãozinho cinza da varanda à espera que alguém a pusesse para dentro.
            -Como ela veio parar aqui? Admirou-se Poliana, carinhosamente carregando-a no colo. Deu um beijo nos pelos arrepiados, finos e macios da sua cabeça dela. –Acabei de entrar e não a vi!?!   
            -Gente! Só pode ter sido pela árvore, exclamou Luzia, ainda confusa.
            -Quer dizer que ela escalou pelos galhos, chegou até o muro, caiu do lado do vizinho e...-Falou vacilante, Dona Auda.
            -Ganhou a rua na maior cara de pau, vó.
            -Não acredito! Como ela fez isso? E nem se machucou... -Disse Luzia, rindo sem parar.
            -E olha que o muro é alto!!

-Nem me fale! É verdade mesmo, mãe! Quer dizer que temos uma cachorra-macaca aqui em casa! –A avó achou muito interessante, mas teriam de evitar que isso se repetisse. -Pode se machucar se fizer de novo. Que danadinha! –Considerou.
            Numa outra ocasião o fato se repetiu. Os vizinhos haviam saído. A vó, sozinha em casa, ouviu um chorinho na calçada. Foi até lá e a Princesa estava entalada no portão. Tentou entrar mas não conseguiu passar pelas grades. Foi preciso chamar o rapaz do supermercado em frente para contorcer o corpo dela e retirá-la de lá.  –Essa cachorra só me prega peças!
Poucos meses depois ela adoeceu. Virose! Mesmo com as vacinas em dia não conseguiu escapar. Seis dias internada tomando soro. Não comia.  ‘Só um verdadeiro milagre pôde ter salvado esta cachorra!” - Disse o veterinário.
-Ufa! Que alívio! -Luzia e a família rezavam pela saúde dela.  Até Dona Auda foi visitá-la na clínica veterinária.
Agora brinca de empurrar garrafa pet e a faz subir, como uma bola. Inteligente, sensível, amável. Traz alegria e confiança.
-Mãe, desvire a orelha dela! –Pedia Poliana. Esta não podia ver a grande orelha branca que se dobrava às vezes, e, já se punha a desvirá-la. –Fica feia assim, coitada!
            Luzia punha jornal no chão da lavanderia para que a cachorra fizesse as necessidades. Todo dia era substituído por um limpo. Era nessas horas que Luzia se interessava em ler alguns assuntos destacados. Agachada, ao abrir o jornal fixava o olhar em algo que chamava atenção. Lia ali mesmo. Se fosse alguém especial recolhia-o e trocava por outro. Se tivesse fotos de jogadores famosos de futebol, de cantores ou artistas sensacionalistas, ou ainda algum político corrupto e intragável, ela fazia questão de manter esta página virada para cima. Sua Princesa saberia fazer o serviço completo.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

AS DUAS BARRIGAS



Araraquara. Fevereiro de 1987. Luzia já deixara a república mista onde residia com mais oito estudantes e fora morar com Baltazar em uma casa alugada, de fundos. Pequena, mas aconchegante. Poucos móveis e pouco dinheiro. Parecia que só o amor bastava a ambos. Casaram-se no civil – Luzia não gostava de casamento em igreja da forma como era apresentado, considerava a encenação falsa e hipócrita- “prometem e não cumprem e ainda têm testemunhas oculares da mentira”, dizia ela. Ofereceram uma festa simples para os amigos e familiares. Dona Auda foi quem confeccionou o vestido cor-de-rosa, usado por Luzia. Enfeitou o cabelo com uma rosa natural. Estava bonita, feliz por rever os amigos de outrora e os atuais, compartilhando com eles esse momento de sua nova vida.
  Trabalhou durante toda a sua gravidez numa empresa terceirizada, na função de fiscal da “zona azul”, da Prefeitura; foi o que conseguiu rapidamente, era uma corrida contra o tempo, não poderia ter a criança sem uma segurança da licença maternidade. Passava o dia todo em pé, percorrendo as ruas centrais, anotando as placas dos automóveis sem o dito cartão. Parava somente para ir ao banheiro, em alguma loja. À noite,  faculdade, e só deixou de cursá-la quando do nascimento.
O marido vinha trabalhando temporariamente, ora na função de montador de móveis, ora como jornalista num jornal local, ora como enfermeiro num hospital psiquiátrico. Sua formação acadêmica era suspeita. Luzia não sabia o que podia considerar real e o que era fantasia. Por vias da dúvida confiava no que ele dizia, nos documentos que apresentava – soube depois que também podiam ser falsos – e na experiência e conhecimento, que deveras demonstrava possuir em relação aos cargos almejados. Provavelmente, situação análoga ocorria para com os empregadores. Chegou a mostrar à esposa um documento comprovando ser um ex-agente do extinto SNI, além de formação como jornalista, durante a fase de participação no exército.
Certo dia Raquel vem visitar a outra barriga.
-Veja Luzia, o que eu trouxe para você, ou melhor, para o bebê. - Raquel estendeu suas mãos morenas e macias, portando um macacãozinho amarelo, com desenho de um ramalhete alaranjado na altura do peito.
 -Que lindo! Não precisava se incomodar, mas foi muita gentileza sua. Obrigada!
 -Achei o preço bom e aproveitei comprar pra nós duas. Tem uns “mijõezinhos” bem legais que eu ganhei de minha irmã, a Val, você deve lembrar-se dela. Se quiser, pode ficar com alguns. Estão bem conservados.
-É claro! O que tiver será bem vindo! Fique com esse cobertorzinho que eu ganhei da Silvana. Já tenho dois. Você pode ficar com esse - era um cobertor alegre, verde claro, simples e bonito que Luzia ofertava com carinho, em seu sorriso meigo. -Sua barriga está linda, Raquel! – Completou ela, colocando a mão sobre o ventre da outra.
 O mesmo se pode afirmar da atitude de Raquel: havia uma franqueza e espontaneidade entre ambas.
E assim o tempo foi caminhando, as duas barrigas aumentavam de volume, os bebês se agitando dentro delas, a cumplicidade crescia e aproximava as duas futuras mamães cujas afinidades refletiam o que elas tinham em comum. E não era pouco. O pai duplo, nem sempre estava presente nestas trocas de enxovais, de dúvidas, de receios e de ansiedades. Raquel preferia não vê-lo, tinha lá os seus motivos. Ocasionalmente os três compartilhavam a mesma conversa, mas nada com muita profundidade. Era bonito ver o relacionamento respeitoso que se estabeleceu. Nenhum dos três expressava o que realmente pensava sobre esta delicada situação em que se envolveram, mas sabiam que as crianças que estavam pra nascer mereciam todo o esforço de superação de mágoas ou rancores. As gestantes tinham consciência dessa necessidade. Ele, aparentemente também a tinha; na realidade, não se sabe. Talvez se saiba um dia?